Lidando com a perda de quem amamos *

Quando acontece uma morte na família, a criança sofre, claro, mas com a ajuda dos adultos, é capaz de entender e lidar com este sentimento.

É difícil falar de morte com as crianças. Como explicar que uma pessoa partiu, não vai voltar, mas vai fazer parte da vida delas para sempre: nas lembranças, nas fotos, nas conversas...? Nessas horas, parece melhor recorrer a explicações mágicas, mascarando o que ela tem de mais difícil: o fato de ser definitiva, de acontecer a todos, até a quem mais amamos. No entanto, as crianças têm capacidade, sim, de lidar com ela.

Como dizer à criança? — Em primeiro lugar, os adultos não devem ter medo de falar claramente. Afinal, todo ser vivo um dia morre – do cachorrinho ao avô. A criança está descobrindo o mundo. Se perceber que a morte é um processo da natureza, vai lidar melhor com o fato. E isso significa sentir raiva, mágoa... Todos esses sentimentos vêm com a perda, não tem como escapar. Os pequenos não precisam saber de todos os detalhes, apenas o essencial, dito em linguagem apropriada. Coloque-se à disposição para responder às perguntas que a criança quiser fazer. As crianças têm dificuldade de separar seus próprios sentimentos da realidade externa. Imaginam que o fato de às vezes sentir raiva do irmão, da mãe, do pai... pode ser suficiente para ocasionar a morte da pessoa. É importante reafirmar que não é culpa de ninguém.

Vivendo o luto — As conseqüências de uma morte mal elaborada podem não aparecer de imediato, mas não devem ser minimizadas. Caso a criança não vivencie o luto, corre-se o risco de ter um desenvolvimento emocional traumático. Como os menorzinhos ainda não têm condições de expressar o que sentem em palavras, a reação será corporal. Eles poderão sentir irritabilidade, depressão, vontade de se isolar, dificuldade de se relacionar com outras crianças, insônia ou mesmo falta de apetite.

Retomando a vida — O momento mais difícil acontece depois, na retomada da rotina, quando aos poucos familiares e amigos se afastam. Mas como preparar os menores para vivenciar essa enxurrada de emoções? Bem, durante toda a nossa existência, pequenas mortes acontecem, a começar pela nossa saída do útero para começarmos outra vida. As crianças não podem ser poupadas de pequenas tristezas, que ensinam e preparam para as “grandes” mortes. Um exemplo é a mãe que troca o peixinho morto no aquário por um novo, igual, para que a criança não perceba, desperdiçando uma boa oportunidade de falar do tema.

* http://revistapaisefilhos.terra.com.br/ (ícone matérias) - consultoria: Elizandra Souza (www.elizandrasouza.com.br), é pós-graduada em Psicanálise e Linguagem pela PUC-SP e tem aperfeiçoamento em lacan, pelo CFlia. Membro da Comissão de Ética do Sindicato dos Psicanalistas de São Paulo e autora do livro “Aproximando-se da Psicanálise num Jogo de Perguntas e Respostas”.

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